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EditorialX + Y + Compaixão

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21 de novembro de 2006
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Enquanto nossos economistas e analistas arrasam teorias desenvolvimentistas de alto padrão, alguns sonhando em zerar alíquotas na área empresarial, outros jurando que o chamado espetáculo do crescimento não chega antes de 2015, uma voz, aqui nesse distante, recôndito e empobrecido Maranhão ousa pensar em outra linguagem.

O pastor Porto, vice-governador eleito do Estado, ao construir a imagem do que seria “Um Político com P Maiúsculo”, juntou, na mesma fotografia, competência, credibilidade, caráter, criatividade e compaixão. Entre estes pilares, a compaixão é a  novidade, intrusa em meio aos números frios, projeções e fórmulas de gestão propostas no correr dos anos.

As teorias que perseguem o crescimento geralmente se sacodem em extremos insaciáveis. Na busca de uma política de resultados há os que defendem ataques sistemáticos aos salários (principalmente o salário mínimo) cortes bruscos nos investimentos da área social etc. E há os que tendem a cozinhar uma mistura de extrativismo e agricultura com clientelismo político e assistencialismo para obter um modelo de gestão econômica eficiente. Ambos tendem a confundir crescimento do Produto Interno Bruto com desenvolvimento, segundo o consultor de empresas Ricardo Neves que escreve quinzenalmente na revista Época.

Nenhuma dúvida de que os pilares citados pelo vice-governador para o que seria uma melhor gestão do Estado em grande parte e na maioria dos governos antecedentes, só existiram no Maranhão de maneira virtual.  Faltou, a olhos vistos, competência de exercer tarefas políticas simples, até para identificar as vocações econômicas de cada região do Estado. Por seus atos, a credibilidade dos políticos nunca foi muito boa e quando eles se aliaram ao caciquismo neo-liberal, votando aberrações políticas como a privatização do BEM, esse descrédito apequenou-se e, ainda mais, ultrapassou os umbrais da legalidade. No item caráter uma “bomba suja” explodiu pois, como cita o pastor, leis, normas e pactos éticos reconhecidos pela sociedade foram esquecidos. A degradação destes valores permitiu até que uma instituição como a corte de contas do Estado se autonominasse “Palácio Governadora Roseana Sarney”, acima das leis e como que se predispondo a negociar decisões de Estado em troca de um palácio de pedras.

Quando se refere à criatividade, o vice-governador fala de esticar recursos, fomentar produtividade e desenvolver potenciais, sobretudo em tempos de escassez. Mas quase sempre isso não foi possível porque os recursos foram esticados em direções suspeitas e a produtividade mais fomentou cilos de corrupção e desastres administrativos, como o Projeto Salangô e o Pólo de Confecções de Rosário.

A novidade na simplificada disposição política imaginada pelo pastor Porto é a compaixão. A compaixão certamente está fora de todas as projeções macro-econômicas, das planilhas de cálculos aritméticos, provavelmente não compõe o espírito das leis, nem é fundamento nos modelos de gestão e desenvolvimento captados por consultores econômicos em universidades de primeiro mundo.

A compaixão se instala neste universo de sugestões administrativas como um plano do coração que precisa, urgentemente, acrescentar-se às fórmulas de combate ao desequilíbrio fiscal, à sonegação e, principalmente, nos cortes dos gastos públicos. E se quer ferramenta na formação das frentes de trabalho. Sem a compaixão não existirão fórmulas mágicas bastantes para enfrentar o quadro de miséria de milhões de brasileiros, a escandalosa concentração de renda e a profunda injustiça social, situações citadas pelo vice-governador.

É, de fato, uma boa idéia que qualquer que seja o modelo de gestão adotado pelo novo Governo, inclua em sua fórmula X + Y + compaixão.

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