Quando se fala na doença, as pessoas logo a associam à velhice. Mas, diferente do que muitos pensam, o diabetes também pode surgir na infância.
Cerca de um milhão de crianças hoje no Brasil sofrem de diabetes, de acordo com a Associação de Diabetes Juvenil. Trata-se de uma doença que chega sorrateira ao organismo infantil, com sintomas nem sempre perceptíveis aos pais, e que, ao ser detectada, muda totalmente a vida das crianças e da família.
Os pais que têm filhos diabéticos precisam manter constantes cuidados e estarem preparados para o fato de que a doença vai mudar a vida dos pequenos em todos os sentidos, tanto física como psicologicamente. É recomendável que aproveitem a curiosidade natural das crianças para explicar a estes filhos que eles podem e devem ter uma vida normal, desde que certos cuidados sejam mantidos, com relação, principalmente, à alimentação.
A pediatra Célia Felex, explica que a aprendizagem das crianças, em relação à doença, tem várias fases. Algumas delas estão mais propensas a saber mais a respeito do problema, enquanto outras preferem a brincadeira. Por esta razão, é importante o acompanhamento psicológico nesta fase. "É fundamental que os adultos não exijam destas crianças o que elas não estão prontas para fazer ou compreender". Acrescenta, ainda, que os amigos têm um papel importante na vida da criança diabética, apoiando e aceitando a vida diferente do colega, principalmente com relação à dieta alimentar.
As crianças diabéticas devem entender que existem dois tipos de açúcar: os denominados rápidos (geléias, balas, leite e frutas), que produzem altos níveis de glicose no sangue, e os lentos (batatas, vegetais e arroz), que são mais seguros aos diabéticos porque chegam à corrente sanguínea mais lentamente e dão ao corpo a chance de absorvê-los antes que se acumulem no sangue.
Entenda a doença - O diabetes se desenvolve quando o pâncreas, glândula localizada na cavidade abdominal, não produz insulina, ou o faz de forma deficiente, impedindo esse hormônio de exercer sua principal função: fazer com que a glicose seja absorvida pelas células. Quando isso ocorre, as células ficam subnutridas e há um acúmulo de glicose no sangue. Então a pessoa passa a se sentir muito fraca, começa a emagrecer e a urinar mais do que o normal.
Os jovens apresentam, em geral, o diabetes do tipo I, sem características hereditárias, e necessitam de aplicações diárias de insulina, pois o tecido do pâncreas é destruído, impossibilitando a produção desse hormônio. Já os adultos têm o chamado diabetes do tipo II, de características hereditárias e que não impõe a necessidade de injeções de insulina e sim de medicamentos orais, como as sulfas hipoglicemiantes, e controle de alimentação.
Controlar o diabetes é manter o nível de glicose no sangue dentro dos limites ideais (de 80 a 180 miligramas) e garantir que as células fiquem bem nutridas.
Reduzir o nível do stress é também muito importante para o tratamento, pois quando a pessoa fica estressada a concentração de glicose no sangue aumenta. Portanto, é recomendado aos pacientes com diabetes praticar exercícios físicos regulares para descarregar a tensão.
A prática de esportes consegue fazer com que, mesmo na ausência da insulina, uma quantidade razoável de glicose seja utilizada pelas células, diminuindo a sua concentração no sangue. A atividade física também aumenta a circulação sangüínea, que beneficia os diabéticos, principalmente aqueles com problemas circulatórios.