Internos da Penitenciária de Pedrinhas lançam jornalCIDADANIA
“O surgimento deste veículo de comunicação deixa claro que o governo do Estado aposta em políticas públicas democráticas para ressocializar as pessoas eventualmente privadas da liberdade, a fim de que elas voltem ao convívio social sem maiores traumas”, declarou o secretário de Justiça e Cidadania do Estado, José Magno Moraes, ao presidir a solenidade de lançamento do jornal “Quebrando o Silêncio”, inteiramente produzido por internos da Penitenciária de Pedrinhas.
O jornal – uma experiência pioneira no país, segundo o assessor Olmar Klinch, do Ministério da Justiça –, tem toda a sua concepção originada na participação efetiva de internos da Penitenciária. “Participamos desde o início de todas as etapas: de oficinas para aprender e entender como se faz uma notícia ou uma reportagem, até de um concurso para escolher o nome do jornal”, assinala o interno José Ribamar Barros, o professor Ribamar, coordenador Editorial do “Quebrando o Silêncio”. Ele é incisivo ao afirmar que é “preciso que o preso use a inteligência, tire o pano da cara e entenda que coisas como rebeliões não levam a nada”.
Para o ex-secretário de Justiça e Cidadania Sálvio Dino, medidas como a criação do jornal e a implantação de uma biblioteca Farol da Educação (prestes a ser inaugurada no complexo de Pedrinhas) são aparentemente “pequenas, mínimas, mas têm uma dimensão para além das simples aparências, representando espaços fundamentais para o acesso ao conhecimento”. Dino entende que canais que abram a discussão sobre o sistema prisional maranhense, sob a ótica dos seus protagonistas, devem ser apoiados e incentivados: “Temos a perfeita consciência das dificuldades que enfrentamos para dar conta da complexa situação do sistema, mas quando a informação verdadeira começa a circular, ela areja as estruturas e permite que os níveis de interação entre gestores, internos e funcionários se dêem de forma mais efetiva”.
A linha editorial adotada pelo “Quebrando o Silêncio”, calcada na liberdade de expressão com responsabilidade, foi elogiada pelo secretário adjunto de Administração Penitenciária, Sebastião Uchôa. “O jornal vem ao encontro da concepção moderna segundo a qual todos os que estão momentaneamente privados da liberdade, ao pagar a sua dívida para com a sociedade, devem ter uma oportunidade para reconstruir as suas vidas”, acentuou ele. De acordo com Uchôa, como no Brasil não existe pena de morte, prisão perpétua ou trabalhos forçados, “os apenados que estão aqui, com certeza um dia sairão e, por conta de iniciativas como este jornal, serão novos homens, inteiramente preparados para o exercício de uma vida digna e honrada”.
A segunda edição do jornal “Quebrando o Silêncio” deve ser lançada no mês de dezembro.
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