CAPACITAÇÃO
A Agência Estadual de Defesa Agropecuária (AGED-MA), órgão vinculado à Secretaria de Estado da Agricultura (SEAGRO) realizou, nesta quinta-feira (09) em São Luís, no Hotel Abbeville, o I Seminário de Toxicologia Clínica voltado, de forma especial, para médicos, enfermeiros, técnicos da AGED, pessoas envolvidas com a fiscalização de agrotóxicos no mercado e demais profissionais de saúde interessados em obter informações na área.
O seminário foi oferecido pela AGED, sem ônus para os participantes, sendo ministrado pelo médico toxicologista, Sérgio Graff, professor da Escola Paulista de Medicina – UNESP/EPM. Na oportunidade, ele falou sobre os princípios básicos de Toxicologia Clínica, tratamento inicial do paciente intoxicado, diagnóstico e tratamento das intoxicações por agrotóxicos, além do diagnóstico e tratamento das intoxicações por produtos clandestinos (produtos de limpeza e raticidas), a exemplo do produto conhecido popularmente como “chumbinho”.
Uma das motivações para a realização deste evento, segundo o diretor de Defesa e Inspeção Sanitária Vegetal da AGED, Luís Roberto Moreira Lima, é a preocupação a respeito da prática de fracionar e usar agrotóxicos como raticida. “Temos conhecimento de que as pessoas estão fazendo o uso irregular de agrotóxicos, para finalidades diferentes das quais estes produtos foram registrados. Esse seminário é uma das inúmeras ações que temos realizado no intuito de prevenir, informar e preparar as pessoas sobre os riscos desta prática, além da fiscalização que, continuamente, fazemos nas casas revendedoras de agrotóxicos”, explicou.
O palestrante Sérgio Graff ressaltou a necessidade de estabelecer um diagnóstico correto no atendimento de pacientes intoxicados. “É importante destacar que os sintomas de intoxicação podem ser iguais aos de outras doenças, por isso é fundamental observar todo o contexto que envolve o paciente, antes de fechar qualquer diagnóstico, de forma precipitada, conduzindo o resultado final, às vezes, para outro caminho”, ressaltou.
Na avaliação do médico Graff o diagnóstico correto é obrigação do médico, que mesmo quando não possui experiência sobre o caso precisa saber encaminhar o paciente corretamente, fazendo, inclusive, a distinção entre uma intoxicação aguda grave (que se dá através de uma única exposição. Ex:Chumbinho) e uma intoxicação crônica (que acontece por meio de exposição contínua durante um tempo prolongado. Ex: Uso sistemático de agrotóxicos).
Uma das reclamações de Sérgio Graff é de que a Toxicologia não é considerada uma especialidade médica, o que dificulta muito o atendimento dos pacientes nos hospitais. “Temos lutado para reverter este cenário, inclusive de inserir a Toxicologia como uma disciplina do curso de Medicina Humana e, também, de Medicina Veterinária. Em geral quem atende os pacientes é o pediatra, o emergencista, o intensivista ou o generalista, e nem sempre estão preparados para fazer o diagnóstico correto. Dependendo da gravidade da intoxicação o paciente pode até morrer”.