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Política'Nem sempre a sabedoria popular permite ganhar no primeiro turno', diz Lula

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3 de outubro de 2006
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Lula, porém, não fez críticas aos eleitores. Nem mesmo aos que elegeram políticos que são alvo de denúncias de irregularidades

São Paulo - Em seu primeiro pronunciamento depois do primeiro turno das eleições, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição pelo PT, elogiou a rapidez da apuração e da Justiça eleitoral, agradeceu os votos que recebeu, mas não deixou de demonstrar sua frustração com o encaminhamento da eleição presidencial para o segundo turno. "Nem sempre a sabedoria popular permite ganhar no primeiro turno", disse.

Lula, porém, não fez críticas aos eleitores. Nem mesmo aos que elegeram políticos que são alvo de denúncias de irregularidades, como o ex-presidente Fernando Collor - que foi eleito para o Senado pelo Alagoas - e os petistas Antonio Palocci, Paulo Rocha, José Genoino e João Paulo Cunha para a Câmara. "As pessoas que voltaram (ao Congresso) não foram condenadas, tinham o direito de concorrer, de acordo com a lei, concorreram e se elegeram. Não sou eu que vai questionar o eleitor de ninguém".

Lula disse que não conhece eleitores de primeira ou segunda categoria. "O Collor está há 14 anos de castigo. O povo de Alagoas resolveu mandar ele para cá. Pela experiência (de presidente), espero que ele apresente bons projetos", concluiu.

Lula quer a verdade sobre dossiê e não descarta ir a debates

Apesar do escândalo do dossiê, que seria comprado por integrantes do PT para prejudicar a campanha do candidato eleito ao governo do Estado de São Paulo (PSDB), José Serra, Lula não quis culpar o PT pela realização do segundo turno."Não ganhamos no segundo turno porque faltou voto", disse. O petista, entretanto, avalia que há um mistério sobre este dossiê e espera que toda esta história "venha à tona". "Quero saber quem arquitetou essa obra de engenharia".

Lula avalia que o segundo turno será importante para consolidar a vontade da maioria dos eleitores e sinalizou que poderá, de fato, participar de debates nesta segunda fase da campanha. "Espero que idéias e programas de governo sejam debatidas", afirmou o presidente, sem expressar qual a sua opinião sobre a sua ausência no debate do primeiro turno: "não tenho aferição para saber se deveria ter ido ao debate". Lula afirmou ainda que disputará o segundo turno com a mesma força que participou do primeiro e que "certamente não faltará votos para ganhar".

Sorridente, ele brincou que o seu vice, José de Alencar, já está se exercitando para começar a campanha do segundo turno. Ao comentar as pesquisas que o apontavam como vitorioso no primeiro turno, Lula disse que não há eleição ganha. "Respeito as pesquisas, mas nunca as levo ao pé do letra", afirmou o presidente, acrescentando que a pesquisa é como uma fotografia: depende da hora e do momento em que foi feita.

Ele afastou a possibilidade de se licenciar do cargo para disputar o segundo turno das eleições. "É possível fazer campanha sem deixar o exercício da presidência". Lula disse que fará viagens de campanha nos finais de semana e aproveitará os dez minutos de TV (no programa eleitoral gratuito) e os debates para ganhar votos. "Nesta fase, você não precisa fazer tanto esforço físico, é mais um esforço intelectual", disse.

Candidato dos pobres

À pergunta se aceitaria o carimbo de que ele seria o candidato dos pobres e Geraldo Alckmin dos ricos, respondeu: "se fosse assim simples eu já teria ganho as eleições. Não é assim que um candidato se apresenta nas eleições". Lula comentou que os empresários, os trabalhadores e empresas ganharam no seu governo e que é um presidente para 190 milhões de brasileiros. Ressaltou que não abre mão de, nas políticas sociais, priorizar a população mais pobre.

Apoios

Lula destacou que a sua missão agora, além de debater suas idéias, "é cuidar de convencer o povo". O presidente disse ainda que buscará aliados e que alguns deles já são previsíveis. Exemplo disso, segundo ele, é o candidato do Eduardo Campos, do PSB, que foi para o segundo turno e disputará o governo de Pernambuco com Mendonça Filho, do PFL. "Vou apoiar Eduardo Campos em Pernambuco e ele me apoiará".

Sobre a decisão da candidata derrotada do PSOL, Heloísa Helena, de não apoiar a candidatura do PT no segundo turno, Lula disse que já está satisfeito com o fato de a candidata já ter liberado seus eleitores para votarem em qualquer candidato. "Foi uma decisão sóbria", afirmou o candidato.

Vitórias do partido

Ele disse também que está feliz com a vitória do petista Jacques Wagner, para o governo da Bahia. Contrariando as pesquisas, Jaques Wagner deixou estupefato o PFL do governador Paulo Souto, e ganhou a disputa pelo Palácio de Ondina no primeiro turno.

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