Maceió - Na primeira entrevista que deu depois de eleito senador por Alagoas, o ex-presidente Fernando Collor de Mello (PRTB), 57, disse que no segundo turno da eleição presidencial está mais próximo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) do que do candidato do PSDB, Geraldo Alckmin. Collor afirmou que não terá dificuldade em integrar a base de apoio de Lula, caso ele seja reeleito.
O ex-presidente elogiou a condução da política econômica do presidente e disse que ele merece um segundo mandato, apesar da "crônica policial" envolvendo membros de seu partido. "Entre todos os candidatos, entendo que Lula é o que melhor se adapta às necessidades e às circunstâncias do Brasil, tirando a crônica policial", disse.
Collor disse que o atual Congresso não tem "autoridade moral" para julgar as acusações contra o presidente Lula.
"O Congresso não é uma Casa com autoridade moral, pelo menos não esta legislatura, para julgar ninguém, muito menos um presidente eleito com 55 milhões de votos."
Na sua volta à vida pública, o ex-presidente disse que terá uma relação "republicana" com os parlamentares que atuaram no processo de impeachment --"menos em homenagem aos adversários e mais pensando na minha saúde".
Disse que usará a tribuna da Casa para a sua versão para os fatos que culminaram com a sua renúncia à Presidência e vai "virar a página". "Vai ser um momento interessante, vai ser bom. Pelo menos para mim, vai ser muito gratificante", disse.