Entrevista Exclusiva - Cleber Verde aposta nas vitórias de Jackson Lago e Geraldo AlckminPor Waldemar Terr (Repórter de Política) / wter@uol.com.br
O deputado federal eleito Cleber Verde, que teve em torno de 72 mil votos, explica que o PAN, partido pelo qual concorreu, decidiu apoiar a candidatura do tucano Geraldo Alckmin a presidente da República porque ele se comprometeu em preservar direitos dos aposentados e pensionistas, em caso de vitória. Cleber Verde, um dos vereadores mais votados de São Luís e agora um dos candidatos a federal com maior votação no Estado e na capital, aposta as fichas também na eleição do candidato a governador da Frente de Libertação, Jackson Lago.
"Nós temos uma relação de parceria com o dr. Jackson desde que o PAN veio para o Maranhão. Desde então o PDT e o PAN têm sido co-irmãos, fazemos parte da administração do PDT em São Luís e não poderia ser diferente, porque o PAN possui uma coerência política muito grande e não seria agora que mudaríamos de posição", explicou o deputado federal eleito.
"Nós apoiamos o dr. Jackson também por ele defender o fortalecimento da agricultura, ele que quando foi prefeito da capital apoiou muito a produção em São Luís e vai trabalhar para aumentar também a produção do Maranhão. Também defendemos investimentos na agricultura, sem esquecer a nossa bandeira principal que são os aposentados".
Cleber Verde vai defender na Câmara Federal a proposta de criação do Fundo Especial da Agricultura. "Assim como existe o Fundef, defenderemos a retirada de um percentual dos impostos a ser investido na agricultura, sendo colocado para as prefeituras gerir. Assim vamos fazer chegar aos lavradores e pescadores as condições financeiras e técnicas para que possam produzir mais e melhor qualidade".
A seguir os principais trechos da entrevista do único deputado federal eleito pelo PAN em todo país, na qual ele fala sobre o seu futuro político, como a possibilidade de ser candidato a prefeito da capital, onde teve quase 40 mil votos, e da visita que fez à assessoria de Alckmin, em São Paulo, a convite do candidato a presidente para apresentar propostas em defesa dos aposentados.
Jornal Pequeno - O senhor esteve durante a semana em São Paulo, para conversar com o Geraldo Alckmin. Qual o motivo do apoio ao candidato a presidente pelo PSDB?
Cleber Verde - Fizemos uma avaliação dentro do partido colocando os prós e contras de cada candidato a presidente. Inicialmente, a gente observou que o Lula, por exemplo, em relação aos aposentados, que são a nossa bandeira principal, durante o seu governo criou algumas dificuldades para os aposentados, especialmente quando encaminhou ao Congresso Nacional a reforma da Previdência. Com ela, veio a taxação dos salários dos aposentados, para nós uma medida inconstitucional, fizemos movimentos aqui, fomos a Brasília, mas de nada adiantou, o governo não se sensibilizou e acabou ganhando no Congresso. Nela vieram também o aumento da idade mínima para a aposentadoria e outras retiradas de direitos dos trabalhadores, mas especialmente a taxação dos inativos foi o que nos afastou dele porque confrontou com a nossa principal bandeira de luta.
JP - O que o Geraldo Alckmin está prometendo aos aposentados?
CV - Apresentamos a ele sugestões e nossa ida a São Paulo se deu por conta de termos conversado em particular com o ex-governador quando ele esteve aqui, e manifestado algumas posições nossas, como a discussão do retorno da aposentadoria especial para o eletricista, o motorista de caminhão, para as pessoas que trabalham em profissões insalubres, perigosas, como os jornalistas. Com a retirada desse direito, os trabalhadores ficaram a mercê de aposentar-se como se aposenta qualquer trabalhador comum. Quem trabalha em profissões que podem causar danos físicos ou mentais precisa de tratamento especial na contagem do tempo de serviço para se aposentar. O Alckmin assimila também essa idéia.
JP - O que foi mais discutido?
CV - Discutimos também a possibilidade de redução dessa alíquota que é hoje de 20 por cento, impossibilitando muitos trabalhadores de pagarem porque não ganham o suficiente para pagar o INSS. Estamos pensando também numa alíquota inferior que possa garantir a aposentadoria para a dona de casa. São vários temas que abordamos aqui, que precisaram ser discutidos com mais profundidade com a assessoria do presidente, para tentar colocar dentro do seu plano de governo algumas posições enquanto representante de um partido, o PAN, que tem a bandeira de defesa dos aposentados e especialmente dos trabalhadores.
JP - Tem também a proposta de correção das aposentadorias?
CV - O Alckmin colocou de público também que em caso de vitória pretende fazer as correções das aposentadorias porque muitos aposentados estão recebendo hoje abaixo do valor pelo qual se aposentaram. Muitos aposentados, por exemplo, teriam direito a 5,4 salários mínimos, como quando foram aposentados, o que daria quase dois mil reais, mas estão recebendo apenas um ou 1,5 salário mínimo. Essa atualização dos índices das aposentadorias em todo país vai dar um ganho real a todos os aposentados. Ele disse que vai trabalhar também pela redução e preservação do poder de compra dos aposentados brasileiros.
JP - A receptividade ao ex-governador em São Luís foi grande. Foi uma surpresa?
CV - Foi uma felicidade ver tanta gente simples, tantos cidadãos comuns, trabalhadores, senhoras, senhores, especialmente aposentados, que foram ao aeroporto recepcionar o Geraldo Alckmin. Ele fez um reconhecimento especial ao PAN por perceber, tanto no aeroporto como na sua chegada ao Rio Poty Hotel, a presença de muitos senhores e senhoras, muitos aposentados, que já manifestavam de forma aberta o apoio a sua candidatura. Ficamos muito felizes porque foi uma decisão do partido no Maranhão abraçada pelos aposentados, e assim tem sido em outros Estados. Na condição de único deputado federal eleito pelo PAN no país, tenho feito contatos com os presidentes regionais e recebido a acolhida e o apoio à bandeira do Alckmin presidente.
JP - O apoio à candidatura do Dr. Jackson o PAN também manteve?
CV - Nós temos uma relação de parceria com o dr. Jackson desde que o PAN veio para o Maranhão. Desde então o PDT e o PAN têm sido co-irmãos, fazemos parte da administração do PDT em São Luís, temos uma secretaria importante, que a Metropolitana. O PAN nesta parceria administrativa tem contribuído com as políticas públicas da capital, dando idéias, sugestões, tentando corrigir principalmente as distorções dos limites que há entre os municípios da região metropolitana. A Prefeitura tem ganhado muito com a contribuição do nosso partido, e não poderia ser diferente, porque PAN possui uma coerência política muito grande e não seria agora que mudaríamos de posição. Estivemos com dr. Jackson no primeiro turno, e por questão de coerência, continuamos, principalmente por entendermos que o ele representa o sentimento de mudança, renovação e construção de um Estado melhor para todos nós.
JP - O PAN não atingiu a cláusula de barreira. Qual o futuro do partido?
CV - A cláusula de barreira exigia dois por cento dos votos em pelo menos nove Estados e cinco por cento a nível nacional. O PAN só alcançou um pouco mais de dois por cento no Maranhão, onde me elegeu, lamentavelmente nos outros não tivemos o privilégio de eleger representantes. Precipitadamente, o nosso presidente tomou uma decisão deliberada, de forma unilateral, de fazer uma fusão prejudicial a todos nós, porque não houve nenhuma forma de diálogo.
JP - Foi com o PTB?
CV - Foi. Não que tenhamos alguma coisa contra o PTB, um partido histórico e trabalhista, que têm a sua bandeira, mas ficamos contra foi a forma como foi colocada a fusão. A gente percebe que esta precipitação não nos permitiu dialogar, tanto é que vários partidos estão ainda dialogando, esperando o TSE se posicionar a respeito do assunto cláusula de barreira, uma vez que foram eleitos mais de 220 deputados federais por partidos que também não atingiram os índices.
JP - Já tem conversação com algum outro partido?
CV - Vamos esperar primeiro o resultado da eleição em segundo turno para ver como o quadro partidário ficará no Estado e a nível nacional. Uma coisa é certa: o partido não é apenas o Cleber Verde, são os vereadores Chaguinhas, Barbosa Lages, Jota Pinto, dr. Garcês, nossos vereadores pelo interior, os vice-prefeitos. Queremos fazer um grande encontro para discutirmos a ida para uma grande sigla, com uma única bandeira, afinal de contas trabalhamos como uma família. Queremos decidir de forma coletiva a ida para outra sigla e que se identifique mais com a nossa bandeira dos aposentados.
JP - O senhor que teve uma votação estrondosa em São Luís o que pensa sobre projetos futuros, como ser candidato a prefeito na capital, pela nova geração de políticos?
CV - Em 2000, fomos eleitos vereador com 5,7 mil votos, em 2002 tive para federal só em São Luís 22 mil votos, me reelegi vereador com 8,2 mil votos, já em 2004, e agora em 2006 tivemos quase 40 mil votos em São Luís, o dobro da de 2002 e quase dez por cento dos votos válidos da capital. Eu entendo que São Luís tem dado uma demonstração de apoio, de interesse de nos ver cada vez mais fortalecido na política do Maranhão, e especialmente na de São Luís. Acredito que o político vai ser sempre o que o eleitor quer para que ele seja. Vamos, então, estar à mercê da avaliação da população. Por isso é importante trabalharmos, é um momento novo e temos muitos projetos para discutir na Câmara Federal, como os direitos previdenciários e dos trabalhadores.
JP - Quais os outros setores que o senhor pretende atuar também?
CV - A agricultura maranhense, por exemplo, precisa ser fortalecida e quero me juntar àqueles que pensam como eu para criarmos o Fundo Especial da Agricultura, assim como existe o Fundef, retirando um percentual dos impostos a ser colocado para as prefeituras gerir. Assim vamos fazer chegar aos lavradores e pescadores as condições financeiras e técnicas para que possam produzir mais e melhor qualidade. Nós apoiamos o dr. Jackson também por ele defender o fortalecimento da agricultura ele apoiou muito a produção de São Luís e vai trabalhar para aumentar também a produção do Maranhão. Também defendemos investimentos na agricultura, sem esquecer a nossa bandeira principal que são os aposentados. A partir daí é que vamos ser avaliados e vamos ser o que o povo do Maranhão e, em especial, o de São Luís, achar que estamos prontos para ser.
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