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PolíciaHippie é preso no Pará e confessa assassinatos de estrangeiras no MA

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30 de março de 2005
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Uma equipe de oito policiais maranhenses, chefiada pelos delegados Paulo Márcio Tavares da Silva e Marco Antonio Rangel de Pinho, especialmente enviada de São Luís pelo secretário de Segurança Raimundo Cutrim, prendeu ontem, às 22h30, o hippie José Vicente Matias, o “Corumbá”, que estava sendo caçado como principal suspeito do assassinato de duas turistas – uma alemã e uma espanhola – em dois dos principais pontos turísticos do estado: Barreirinhas e Alcântara.

Matias foi preso no centro da cidade de Bragança, a 210 km de Belém. Ele estava num casarão abandonado, freqüentado por artesãos e andarilhos. Os policiais maranhenses fizeram o cerco na casa – apoiados pela polícia de Bragança - e “Corumbá” se entregou, sem oferecer resistência.

Ele foi transferido para a delegacia de polícia local. Interrrogado, Matias confessou, segundo a polícia, os assassinatos da turista alemã Marianne Kern, em Barreirinhas, e de Nuria Fernandez Collada, em Alcântara. Hoje, “Corumbá” será recambiado para São Luís.

Estupro e atentado ao pudor - Fugitivo da Justiça de Goiás, com prisão preventiva decretada por crimes de estupro e atentado violento ao pudor, o hippie, que se diz artesão (tapeceiro), José Vicente Matias, 38 anos, natural de Firminópolis-Goiás, teve sua identidade revelada ontem.

Ontem à tarde, o delegado geral Nordman Ribeiro recebeu da polícia goiana fotografias do acusado, que foi reconhecido pela dona da pousada e pelo vigia como o homem que viajou para Alcântara, em companhia da espanhola Nuria Fernandez Collada, encontrada morta na praia de Itatinga, no dia 24.

Também ontem, o delegado Nordman recebeu informações da polícia goiana sobre a prisão em flagrante de “Corumbá”, no dia 22 de julho de 1998, na Pousada do Rio Quente, sob acusação de estupro e atentado violento ao pudor. Três meses depois, ele fugiu da cadeia local e teve prisão preventiva decretada pela juiza Placidina Pires, da 1ª Vara Criminal da Comarca de Caldas Novas, naquele Estado.

José Vicente Matias viajava por vários municípios do país vendendo pulseiras, brincos, colares e outros produtos artesanais. Em algumas cidades, se identificava como “Pedro”, e em outras como “Corumbá”.

Ontem, o jornal goiano O Popular localizou a dona de casa Valéria Augusta Veloso, de 37 anos, a goiana que policiais maranhenses suspeitavam que tivesse sido a primeira mulher a ser assassinada pelo acusado. Ela reside na Região Leste de Goiânia com o marido, o operário Constâncio Pereira da Silva, e com os três filhos menores, mas há cerca de quatro anos teve um envolvimento afetivo conturbado com o artesão, marcado por agressões e muitas idas e vindas.

Valéria Augusta esteve na companhia de José Matias de dezembro do ano passado até o início deste mês. Ela chegou a ser vista com ele em Barreirinhas (MA), na região dos Lençóis Maranhenses, a cerca de 350 quilômetros de São Luís, alguns dias antes de a alemã Marianne Kern, 49, ter sido encontrada morta. Por esse motivo, a equipe de policiais coordenada pelo delegado regional de Rosário (MA), José Maria Melônio Filho, acreditou que Valéria Augusta também tivesse sido assassinada.

A alemã Marianne Kern foi morta com pancadas na cabeça. De acordo com o delegado José Melônio, os golpes foram tão fortes que o rosto dela ficou desfigurado e o queixo, deslocado. O corpo da turista foi encontrado no dia 15, em adiantado estado de decomposição, enterrado em uma cova rasa, em uma praia de Barreirinhas. Durante as investigações, os policiais constataram que a mulher estivera alguns dias com o artesão, identificado como “Pedro”. A partir de então, o artesão passou a ser procurado como suspeito do crime.

Os policiais obtiveram a informação de que o suspeito havia se hospedado em uma pousada em São Luís, na rua do Sol. Nesse local, testemunhas disseram que ele havia ido para a cidade de Alcântara, a 10 quilômetros de São Luís. Os policiais se dirigiram para Alcântara e descobriram que o artesão seguiu para a Praia de Itatinga, com a espanhola Nuria Fernandez Collada, 27.

Os investigadores descobriram que José Matias retornara sozinho para Alcântara, o que os levou a admitir a possibilidade de que a espanhola pudesse estar morta. A suspeita confirmou-se no dia 24. O cadáver de Nuria Collada, também assassinada com golpes na cabeça e no tórax, foi encontrado enterrado em uma cova, já em estado de putrefação. O fato de os dois crimes terem sido cometidos da mesma forma reforçou a suspeita do envolvimento dele. Segundo o delegado, em Alcântara o artesão preferiu ser chamado por “Corumbá”.

Na sexta-feira, Kelson Nunes Campos foi preso em Santa Inês. Ele estava com um cartão magnético de Marianne Kern. De acordo com a polícia, Kelson havia sacado R$ 1,1 mil da conta da turista alemã e efetuado compras com o cartão de crédito dela, no valor de R$ 600. Kelson confessou que recebeu o cartão de um homem com as características de Corumbá.

“Queria ser mulher dele” - A vida de Valéria Augusta Veloso, de 37 anos, passou por profundas alterações a partir de meados de 2002, quando conheceu o artesão José Vicente Matias. Ela conta que estava separada do marido, o operário Constâncio Pereira da Silva, que ficara com a guarda dos três filhos menores. Para manter-se, passou a vender sanduíches naturais em uma feira de artesanato instalada aos domingos na Praça Universitária.

Em seguida, a dona de casa conheceu o artesão e, conforme disse, apaixonou-se por ele. Dias depois, vendeu os móveis da casa para acompanhá-lo. Nos últimos quatro anos, segundo conta, viajou para vários municípios de São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Bahia, Piauí e Maranhão. “Eu queria ser a mulher dele, mas confesso que ficava muito preocupada com os meus três filhos. Por isso, voltei cinco ou seis vezes para casa”, revela.

A última e talvez a mais aterrorizadora viagem que fez na companhia de José Matias teve início em dezembro do ano passado. Segundo relatos de Valéria Augusta, o artesão constantemente a xingava e fazia-lhe ameaças. “Ele dizia que ia me acertar, que jogaria alguma coisa contra mim”, denuncia. Valéria Augusta conta que o companheiro escondeu seus documentos para que ela não fosse embora.

Em meados de março, com medo de permanecer ao lado do artesão, ela decidiu fugir. Telefonou para o marido, em Goiânia, e pediu apoio financeiro. Para escapar, contou com a ajuda de um casal de hippies que também estava em Barreirinhas (MA). Valéria Augusta disse que fugiu descalça, apenas com a roupa que usava.

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