Por Wellington Rabello
Sem ter condições de morar num lugar digno e seguro, inúmeras famílias ocupam os morros localizados no bairro do Coroadinho, ou então suas encostas, mesmo sabendo do risco que correm de ter suas casas destruídas ou soterradas pelo desmoronamento dos barrancos. Essas pessoas convivem diariamente com o medo de deslizamentos – problema que se agrava com o início do período chuvoso na capital – chegando, em muito dos casos, a nem dormir nas noites de chuva.
A dona de casa Maria da Luz Alves, 50, mora há dois anos num barraco construído na encosta de um morro, no Coroadinho. Ela disse que, quando chove, passa por momentos de muita preocupação e com medo que a barreira venha abaixo, principalmente à noite.
Dona Maria da Luz contou que na noite de sexta para sábado, por causa da forte chuva que caía, não dormiu, tentando desentupir um cano que leva a água de seu quintal para a rua, a fim de evitar que sua casa fosse inundada, o que lhe rendeu dores pelo corpo inteiro.
Perto da casa de dona Maria, cinco casebres abrigam cerca de dez pessoas, incluindo várias crianças com idade abaixo de sete anos. Todos os barracos, feitos de taipa, são inseguros, e podem desabar com qualquer eventual deslizamento.
O medo de desmoronamento não atormenta somente quem mora nas encostas dos morros, mas também os moradores da parte alta. Antônio Carlos Coqueiro, que mora há oito anos num local que fica acima da casa de dona Maria da Luz, afirmou que a barreira diminui a cada inverno, colocando em risco sua residência, fato que já o levou a não mais cortar o capim para tentar impedir os deslizamentos.
Antônio Carlos, que tem dois filhos, disse que também não dorme durante as noites de chuva, temendo que a barreira desmorone e leve a sua casa. Ele, assim como os outros moradores que passam pela mesma situação, pede que seja construído um muro de contenção na encosta do morro, para que todos se sintam mais seguros e possam dormir tranqüilos.
Orientação – Segundo o tenente-coronel Lauro Ribeiro de Melo, coordenador da Defesa Civil, são rotineiras as visitas às áreas de risco para verificar a situação das residências e orientar os seus proprietários sobre como agir nos casos de deslizamentos ou queda de barreiras. As orientações são para que as pessoas procurem locais seguro, desliguem a rede elétrica imediatamente, isole o local e feche o botijão de gás.
O tenente-coronel Lauro afirmou que, mesmo com as orientações, as pessoas insistem em permanecer no local, sob a alegação de não terem para onde ir. Segundo ele, a Prefeitura teria de fazer um projeto que tirasse as famílias das áreas de risco e as transferisse para um lugar seguro.