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Guesa Errante
Editorial

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Data de Publicação: 28 de março de 2005
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O III Cine São Luís, do Festival Internacional de Cinema de São Luís, uma criação e realização do cineasta e empresário Frederico Machado, é um atestado eloqüente de que, quando um homem se projeta para executar um trabalho, com seriedade, determinação e obstinação, até em São Luís, onde se dá um supremo valor ao artificial, ao fútil, à frivolidade e à banalidade, o milagre da exceção pode se tornar. Já era mais que tempo de sair dos lugares-comuns dos eternos shows de música ridícula e medíocre, geral e vergonhosamente importada à base do papel carbono, dos clichês e das imitações de quinta categoria.

Um Festival de Sétima Arte é, sem dúvida, uma oportunidade cultural única, quando crianças, jovens e adultos têm a oportunidade de participar de um circuito de exibição de filmes de primeiríssima qualidade, e porque não dizer de cinema de arte.

Em dez dias consecutivos de exibições de filmes, as platéias fazem uma instigante e proveitosa viagem por tudo quanto o cinema, em seu universo sincrético, pode oferecer, em termos de imagem, literatura, música, artes plásticas, história, narrativa, poder de síntese.

Pode-se dizer que este é o evento cultural mais importante de São Luís, na atualidade. E cabe aos empresários estarem atentos para a importância e alcances de um Festival de cinema que já está em sua terceira versão, se consolidando como uma mega amostra de filmes que se propõe contribuir, de maneira decisiva, para que a sociedade maranhense saia do caos cultural provinciano em que vive mergulhada, podendo, a partir de empreendimentos como o Festival de Cinema, sintonizar-se com o que de melhor se produz, no gênero, no Brasil e no Exterior.

É hora de o Maranhão buscar e encontrar os caminhos para reintegrar-se culturalmente ao eixo Rio/São Paulo e adjacências, como o fez na segunda metade do século XIX, em termos de Literatura, quando, no panorama cultural brasileiro, São Luís superou a todas as demais capitais da Federação, até importando valores para o Rio de Janeiro e Europa. Foi a época áurea da Atenas Brasileira ilustrada por exponenciais como Gonçalves Dias, Sotero dos Reis, João Lisboa, Odorico Mendes, Henriques Leal e, mais adiante, Maranhão Sobrinho, Inácio Xavier de Carvalho, Sousândrade e tantos outro talentos geniais.

Esta edição é, portanto, uma homenagem que o Suplemento Cultural e Literário JP Guesa Errante e a Companhia Vale do Rio Doce dedicam ao III Cine São Luís, Festival Internacional do Cinema no Maranhão, como um reconhecimento da importância e dos alcances culturais de iniciativas dessa natureza, em que, a curto e alongo prazo, vale apostar.

Foi por isso que a coordenadora e o editor deste Suplemento convocaram o escritor e jornalista Manoel dos Santos Neto e o fotógrafo Gilson Teixeira para fazerem a cobertura jornalística e iconográfica de um Festival que mais uma vez movimentou a população ludovicense.

O resultado é o belíssimo texto de Manoel dos Santos Neto e as primorosas fotografias de Gilson, sem esquecer o belíssimo texto do crítico de cinema Vicente F. Júnior.

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