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Julgamento de mulher acusada de mandar matar o marido é adiado
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Julgamento de mulher acusada de mandar matar o marido é adiado

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Data de Publicação: 23 de março de 2005
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Por Wellington Rabello

O julgamento de Kátia Maria Ribeiro Silva Pereira, acusada de ter mandado assassinar o marido dela, o cabo PM Jocivaldo Silva Pereira, de 39 anos, em 2002, marcado para a manhã de ontem, foi adiado a pedido do seu advogado, Inaldo Paulo Ramos, sob a alegação de que um irmão dele havia falecido. Inúmeros familiares da vítima compareceram ao Tribunal do Júri, no Fórum Desembargador Sarney Costa, e não ficaram satisfeitos com o adiamento.

Ontem, ainda deveria ter sido julgado o pistoleiro Sandoval Rodrigues, responsável pelos disparos que vitimaram o militar. Mas o advogado dele, César Augusto Monteiro Belo, também solicitou o adiamento por ter pedido vista dos autos do processo.

Além de Kátia e Sandoval, ainda tiveram participação no crime o amante dela, Carlos Magno Viana Correa, e o motorista Almir Fernandes da Silva, ambos foragidos. O motivo para a execução do policial teria sido um seguro no valor de R$ 80 mil em nome dele e da esposa, sendo que, de acordo com familiares da vítima, qualquer um dos dois poderia receber o dinheiro.

Dos envolvidos na morte do cabo Jocivaldo, só foram presos Kátia, que passou apenas 17 dias na cadeia; Sandoval, que depois de um ano e meio foi solto e aguarda o julgamento em liberdade; e Almir, que fugiu há cerca de um ano, do 1° Distrito Policial. O amante de Kátia, Carlos Magno, nunca foi encontrado. A família da vítima tem informações de que ele teria sido visto no interior do estado de Goiás.

Kátia e Jocivaldo foram casados durante quatro anos, mas não estavam mais morando juntos há dois. Nesse intervalo, ela começou um romance com Carlos Magno, que trabalhava para uma empreiteira da Alumar. No entanto, o militar não desistia de tentar a reconciliação.

Seguro – De acordo com Nilson Araújo, sobrinho da vítima, Kátia e Jocivaldo haviam feito um seguro privado junto ao Gboex, em nome dos dois, sendo que, se um não recebesse o outro receberia. Na época do crime, o seguro já estava no valor de R$ 80 mil, o que teria despertado o interesse de Kátia e do amante, Carlos Magno, que resolveram tramar a morte do cabo.

Segundo as investigações policiais, Carlos Magno teria contratado o pistoleiro Sandoval Rodrigues, a quem deu inicialmente R$ 300 e um aparelho de som, que lhe fora entregue pela amante, no valor de R$ 700. Além disso, Kátia prometeu dar mais R$ 5 mil depois que recebesse o seguro.Um dia antes do crime, Kátia teria pedido para um irmão dela alugar um carro, um Pálio verde que foi usado pelos assassinos e marcou um encontro com o marido nas proximidades do Comando Geral da PM, a fim de conversarem sobre a reconciliação.

Carro no “prego” – Do local de onde os dois marcaram para se encontrar, eles saíram andando em direção ao Altos do Calhau, pois Kátia alegou que ia à casa de uma mulher que a devia e morava naquele bairro. No percurso, encontraram Sandoval e Almir junto ao Pálio verde que se encontrava com o capô aberto, simulando um problema. Kátia fingiu não dar atenção e os dois continuaram andando. Em seguida, Sandoval entrou no carro que, dirigido por Almir, se aproximou do casal e desferiu dois tiros no cabo Jocivaldo. Nilson Araújo disse que o pistoleiro, para ter certeza de que o militar estava morto, ainda lhe aplicou três facadas nas costas, para depois abandonar o corpo na estrada que dá acesso ao Altos do Calhau.

O sobrinho do cabo informou que seu tio fora socorrido pela irmã de um tenente que se encontrava em um ponto de ônibus e escutou os disparos, pedindo ajuda a um motorista de ônibus que passava pelo local, conduzindo a vítima para o Hospital Dr. Carlos Macieira. Lá, ele ainda chegou a ser submetido a uma cirurgia, mas não resistiu e morreu.

A data do julgamento poderá ser remarcada para abril. Edílson Araújo, irmão do cabo Jocivaldo, disse que o adiamento do julgamento já era pressentido pelos familiares da vítima, uma vez que essa é uma estratégia que os advogados de defesa costumam usar para evitar que seus clientes sentem no banco dos réus. Mas que isso não pode acontecer para sempre e um dia Kátia irá pagar por ter tirado a vida de seu irmão.

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