Quinze de março, Sarney discursa sobre os vinte anos de “redemocratização” do país. Cômico se não fosse trágico. Ao final é aplaudido de pé. Esqueceram-se os presentes que deveria ter sido vaiado ou até mesmo preso. Esqueceu-se Sarney que durante seu governo os índices de inflação chegaram a 25% ao mês.
Em fevereiro de 1986 o presidente-senador-rei anunciou um dos Planos de Estabilização Econômico, conhecido como Plano Cruzado, elaborado pelo ministro Dílson Funaro (sobre este plano no recente programa Roda Viva afirmou ter sido um equivoco e que deve se arrependera). Esse plano substituiu o cruzeiro por uma nova moeda, o cruzado, e congelou preços, salários e impôs o tabelamento de vários produtos.
A maioria do povo aprovou e apoiou o plano. Quem não se lembra das “fiscais do Sarney”, donas de casa que iam aos supermercados verificar se houve aumentos nos preços de produtos. Pobres coitadas. Diversos produtos desapareceram do mercado ou tiveram suas embalagens modificadas para serem vendidos mais caros. O plano fracassou e a inflação voltou a subir. Para equilibrar a situação o governo tentou novos planos, como outros ministros da Fazenda, como o Plano Bresser e o Plano Verão com Luis Carlos Bresser Pereira e Maílson da Nóbrega respectivamente.
Devido ao fracasso dos planos econômicos capitaneados pelo senador-rei, cresceram as dívidas externa e interna. O país ficou desacreditado no exterior e diminuíram os investimentos estrangeiros. Nunca o “risco Brasil” atingiu patamar tão elevado. Os altos índices de inflação, as denúncias de corrupção no governo, as greves, o assassinato de trabalhadores rurais e a disparada no aumento da criminalidade desmoralizaram ainda mais o governo do senador-rei e fortaleceram a “oposição”.
Durante o governo Sarney, chamado de “Nova República”, o único representante do antigo regime era João Figueiredo, que se recusou a passar a faixa presidencial a Sarney por achá-lo um traidor. Pessoas como Aureliano Chaves (vice-presidente de Figueiredo), Ulisses Guimarães, fizeram as “mudanças” que acham necessárias. O próprio Sarney “pulou” fora do barco governista (a época era o líder do PDS), vendo que a candidatura de Paulo Maluf não agradava nem mesmo aos membros do partido, associou-se a Tancredo Neves.( Aí gosta de poder!) Foi nessa época que o resto do país tomou conhecimento de como era feita política no Maranhão.
Governador do Estado, Cafeteira, tradicional opositor de Sarney, não teve outro jeito senão “unir-se” ao senador-rei para que algo de bom viesse ao Maranhão. Pouco depois do fim do mandato de presidente de Sarney, Cafeteira declarou que “ nada veio para o Estado por que Sarney não quis”. Talvez se à época o Maranhão fosse governado por Roseana ou Zequinha a situação fosse outra.
Em vez de aplaudido, Sarney deveria ter sido interpelado pelo atraso econômico em que colocou o país. Deveria ser responsabilizado pelo estrago feito à imagem do Brasil no exterior. Deveria expulso do Maranhão pela vergonha e chacota a que expôs o estado ao resto do país. Mas ao contrário foi aplaudido de pelos seus comparsas como Antonio Carlos Magalhães, Renan Calheiros, Pedro Simom e outros. E ainda vem o sistema mentiroso dizer que José Reinaldo ficou enciumado por não ter sido citado como colaborador e nem ter feito discurso. Ainda bem, pois se assim o fizesse seria mais um da estória “Ali Babá e os quarenta ladrões”.
Luís Augusto Ribeiro Barbosa - guthoribeiro@ig.com.br