A REALIDADE DA REFORMA AGRÁRIA
Segundo o IBGE 56% da população maranhense é
constituída de pequenos agricultores, que ainda utilizam como tecnologia
produtiva a roça no toco. Diante da falta de políticas públicas no meio
rural, eles vivem em constante intinerância com produtividade muito baixa. A
prática também pode ser observada nas áreas de assentamentos, por falta de
uma política de padrão tecnológico para os agricultores familiares. No
Maranhão existem mais de 600 áreas de assentamentos do Incra, Iterma, Cédula
da Terra e Crédito Fundiário. Apesar de não serem disponibilizados os
valores, acredita-se que já foram aplicados em todas elas bilhões de reais
entre investimentos de infra-estrutura, assistência técnica e outros projetos.
A qualidade de vida dos assentados não melhorou e têm muitos assentados que
registram terem se tornados miseráveis, principalmente os que foram induzidos a
comprar terras pelo preço de mercado, com financiamento do Programa Cédula da
Terra, agora chamado de Crédito Fundiário.
ASSENTAMENTOS VIRARAM FAVELAS
Se hoje a Superintendência Regional do INCRA
tivesse a determinação de verificar de perto as inúmeras obras de
infra-estrutura realizadas nas áreas de assentamentos, com certeza iria apurar
centenas de irregularidades, destacando-se: a construção das casas com
materiais de péssima qualidade, perfurações de poços artesianos que, em
pouco tempo, deixaram de jorrar água, estradas vicinais que desapareceram, sem
falarmos nas precariedades das escolas, postos de saúde e a famigerada
"assistência técnica", que perdura até os dias atuais como
sumidouro de recursos públicos, etc. Foram e continuam sendo verdadeiras
fortunas desviadas por empreiteiros, políticos e prepostos do grupo dominante.
Agora entram nesse contexto entidades da sociedade civil organizada. Há
registro de que atualmente existem 40 inquéritos administrativos instaurados na
Superintendência Regional do INCRA envolvendo funcionários da instituição, a
maioria de acusações de corrupção praticada em projetos de áreas de
assentamentos. A Direção Nacional do INCRA também tem outros inquéritos
instaurados contra servidores do órgão no Maranhão, mas todos não caminham
em razão de apadrinhamentos políticos.
A QUESTÃO AGRÁRIA NO BRASIL
O escritor e teólogo Leonardo Boff expressou a
poucos dias em seu artigo Aliança Terra-Água, importantes considerações
sobre a questão agrária no Brasil. Ele disse:"Ela nunca foi resolvida
porque a dominação do latifúndio articulada com a política e a mídia sempre
conseguiu enfraquecer, isolar e fragmentar as classes populares no campo, à
exceção do MST. Tolerou apenas lutas reivindicatórias ou aceitou políticas
públicas meramente compensatórias, mas nada de verdadeiramente
transformador".Leonardo Boff acrescenta:A
União, mesmo sob a administração do PT, nunca deu a urgência necessária à
reforma agrária. Nem precisaria pegar terra de ninguém, apenas utilizar os 250
milhões de hectares de terras devolutas ou os 285 milhões de hectares de
latifúndios improdutivos, segundo dados do INCRA. Há terras para muitas
reformas agrárias caso o Estado realmente quisesse, como quis a reforma da
Previdência e a Tributária.
O CRESCIMENTO DO LATIFÚNDIO
Leonardo Boff destaca:Tem
crescido o latifúndio acima de 2 mil hectares. Entre 1992 e 1998 se ampliou em
56 milhões de hectares o que representa três vezes mais que os 18 milhões de
hectares que o governo Fernando Henrique Cardoso desapropriou em 08 anos de
administração. O consórcio madeira-gado bovino e produção de grãos avança
Amazônia adentro, provocando um desmatamento jamais visto antes. Somente entre
agosto de 2002 e agosto de 2003 foram desmatados e queimados 23.750 km2. Em
conseqüência disso, junto a outros fatores, o Brasil emite anualmente 200
milhões de toneladas de gases de efeito estufa, tanto quanto o Primeiro Mundo
se dispôs a diminuir.
CORRESPONDENTES GRATUITOS
Emissoras de Rádio do Maranhão e de todo o
país, acabam de contar com um importante serviço de correspondência gratuito
de qualidade e bem atualizado. A Central de Notícias, que já vem tendo os seus
serviços utilizados em mais de 50 municípios maranhenses, é dirigida pelo
jornalista Humberto Fernandes, que inicialmente coloca Boletins de Notícias
diários, com informações variadas e reportagens de Sérgio Murilo e Teresa
Cristina. Para chegarem à Central de Notícias, os interessados podem acessar o
site:www.cnsaoluis.com.brou ligar para o fone (098) 32140044.
CONSELHO DE ODONTOLOGIA
O dentista Cláudio Fontoura Nogueira da Cruz
tomou posse na presidência do Conselho Regional de Odontologia. Durante a
solenidade, que contou com a presença de Miguel Nobre, presidente do Conselho
Federal de Odontologia, o novo dirigente do CRO do Maranhão falou da sua
preocupação com a saúde bucal dos maranhenses, destacando a necessidade de se
buscar, como um princípio de direito, uma política que venha proporcionar aos
mais carentes acesso a serviços odontológicos."O meu compromisso e de
todos os membros eleitos pela nossa chapa é pela valorização do cirurgião
dentista como profissional, pela odontologia ao alcance de todos e de trabalhar
sintonizado com instituições dos poderes constituídos para proporcionarmos
sorrisos de felicidade à todas as pessoas que precisem", concluiu
Cláudio Nogueira da Cruz.
CONFLITO AGRÁRIO E INDIGNAÇÃO
O conflito agrário em Vitória do Mearim vem
aumentando a indignação da população e de entidades da sociedade civil
organizada pela maneira como foi praticado. O Conselho Municipal dos Direitos da
Criança e do Adolescente e o Ministério Público, sem qualquer prejuízo das
demais investigações, quer apurar a covarde agressão sofrida pelo menino de
13 anos, Romerildo de Oliveira. Ele teria sido preso, amarrado e retirada a sua
camisa por um soldado da Policia Militar que, em ato contínuo, o colocou
deitado em um formigueiro. A denúncia consta de relatórios em poder das
autoridades.
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