São Paulo - O assassinato da missionária americana Dorothy Stang representa apenas a ponta do iceberg do crime organizado existente na corrida pela grilagem de terras no Pará. A afirmação foi feita pelo presidente da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Dom Tomás Balduíno, durante o programa Roda Viva, da “TV Cultura”.
“É um crime que envolve autoridades do governo, a Polícia Civil e a Polícia Militar”, denunciou Dom Tomás. Ele acredita que a repercussão do crime deverá levar ao desencadeamento da reforma agrária na região. “Eu acho que a hora chegou. A reforma agrária é a resposta.”
O presidente da Pastoral da Terra criticou o agronegócio, que seria o maior responsável pela violência na terra, segundo estudo da CPT. “Foi constatado que onde floresce o agronegócio, ali é maior o conflito. O agronegócio não é aquele santo que está sendo propalado”, acredita o bispo. Ainda durante a entrevista, ele admitiu uma certa decepção com o governo Lula, que em parte já teria se corrompido.
“O envolvimento com as alianças acabam nivelando tudo. Nós sabemos, com relação ao Congresso, que há uma decepção muito grande por parte da população, a ponto de se dizer que não há mais diferença entre PT e PMDB, ou outros partidos.”