José Cláudio Pavão Santana*
"Inda
uma vez, Adeus! Curtos instantes
de inefável prazer - horas bem curtas
De ventura e paz fruí convosco:
Oásis que encontrei no meu deserto,
Trepido vale entre fragosas serras
Virente derramado, foi a quadra
Da minha vida, que passei convosco"
(Gonçalves Dias)
A saudade ardente em "Adeus aos amigos do
Maranhão" conspira contra nós em cada partida, como se nos impusesse
ficar. Mas é preciso partir!
A busca de um sonho pressupõe a determinação
de dar o primeiro passo. Barreiras quase intransponíveis podem ser produzidas
pela ação do homem. Se há a crença e a vontade de alcançar um ideal, se há
a fé, as alternativas são construídas, enquanto contemplamos o tempo a nos
ensinar: Nada como o amanhã!
Emerjo de águas turvas para renascer
esperançoso e vejo um novo horizonte. Contemplo um pouco a paisagem, mas logo
prossigo a caminhada, porque apenas percorri um pequeno caminho nessa estrada em
busca do porvir.
Se aos teus olhos me distancio, a outros me
aproximo, enquanto sinalizo minha volta com a esperança de continuar nossa
luta, repartindo contigo o que me fizeram conhecer de novo.
Mais do que uma caminhada inicio uma jornada, por
isso me despeço com o coração livre de mágoas, embora repleto de apreensões
naturais, por que frutos de indefinições impostas pela vida. Ainda assim sigo,
como se partisse apenas por alguns instantes.
Antes de acenar vejo-te mais uma vez, como se
visse na lágrima que escorre um sinal de vida, um desejo de retorno breve, uma
certeza de que é preciso partir para aprender a voltar.
Por isso amigo, quando lembrares de mim
constatarás que estivemos tantas vezes juntos e nos esquecemos de dizer: Como
é bom ter um amigo! Quando falares de mim, meu coração sentirá tua palavra
como se fosse um pedido de regresso. Retornarei, então, para dizer-te: Também
senti tua falta, amigo!
Devo partir agora. Antes, porém, reservo-te o
meu mais sincero agradecimento pela tua amizade e peço a Deus que te ilumine,
porque contigo haverei de dizer um dia: Há desafios que nascem sem que
entendamos o porquê dos obstáculos, até que alcancemos a vitória. Só,
então, compreenderemos que o tímido passo de outrora se transformou em chegada
de uma longa jornada.
Fique com meu abraço e meu apreço.
José Cláudio Pavão Santana