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É preciso partir para aprender a voltar

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Data de Publicação: 2 de março de 2005
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José Cláudio Pavão Santana*

"Inda

uma vez, Adeus! Curtos instantes

de inefável prazer - horas bem curtas

De ventura e paz fruí convosco:

Oásis que encontrei no meu deserto,

Trepido vale entre fragosas serras

Virente derramado, foi a quadra

Da minha vida, que passei convosco"

(Gonçalves Dias)

A saudade ardente em "Adeus aos amigos do

Maranhão" conspira contra nós em cada partida, como se nos impusesse

ficar. Mas é preciso partir!

A busca de um sonho pressupõe a determinação

de dar o primeiro passo. Barreiras quase intransponíveis podem ser produzidas

pela ação do homem. Se há a crença e a vontade de alcançar um ideal, se há

a fé, as alternativas são construídas, enquanto contemplamos o tempo a nos

ensinar: Nada como o amanhã!

Emerjo de águas turvas para renascer

esperançoso e vejo um novo horizonte. Contemplo um pouco a paisagem, mas logo

prossigo a caminhada, porque apenas percorri um pequeno caminho nessa estrada em

busca do porvir.

Se aos teus olhos me distancio, a outros me

aproximo, enquanto sinalizo minha volta com a esperança de continuar nossa

luta, repartindo contigo o que me fizeram conhecer de novo.

Mais do que uma caminhada inicio uma jornada, por

isso me despeço com o coração livre de mágoas, embora repleto de apreensões

naturais, por que frutos de indefinições impostas pela vida. Ainda assim sigo,

como se partisse apenas por alguns instantes.

Antes de acenar vejo-te mais uma vez, como se

visse na lágrima que escorre um sinal de vida, um desejo de retorno breve, uma

certeza de que é preciso partir para aprender a voltar.

Por isso amigo, quando lembrares de mim

constatarás que estivemos tantas vezes juntos e nos esquecemos de dizer: Como

é bom ter um amigo! Quando falares de mim, meu coração sentirá tua palavra

como se fosse um pedido de regresso. Retornarei, então, para dizer-te: Também

senti tua falta, amigo!

Devo partir agora. Antes, porém, reservo-te o

meu mais sincero agradecimento pela tua amizade e peço a Deus que te ilumine,

porque contigo haverei de dizer um dia: Há desafios que nascem sem que

entendamos o porquê dos obstáculos, até que alcancemos a vitória. Só,

então, compreenderemos que o tímido passo de outrora se transformou em chegada

de uma longa jornada.

Fique com meu abraço e meu apreço.

José Cláudio Pavão Santana

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