O deputado Pedro Veloso (PTB) defendeu ontem que a Assembléia Legislativa investigue as denúncias de irregularidades no pólo de confecção de Rosário implantado, em 1995, no governo de Roseana Sarney. O deputado disse que, se for preciso, está disposto a assinar um pedido de CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar as responsabilidades.
Ele pediu que a Comissão de Indústria, Comércio e Turismo promova audiência pública para discutir a situação dos trabalhadores do pólo de confecção de Rosário que, segundo ele, estão com dívidas em bancos e sem dinheiro para sobreviverem. “Foi uma farsa montada [o pólo de confecção] para enganar 4.500 trabalhadores”, denunciou.
Dez anos depois, o pólo de confecção de Rosário está praticamente desativado e os trabalhadores, atolados em dívidas. “Tudo não passou de enganação”, declarou.
O presidente da Assembléia Legislativa, deputado João Evangelista (PTB), disse que a comissão terá todas as condições de que necessitar para a realização do trabalho.
Num discurso contundente, Pedro Veloso disse que armaram uma espécie de arapuca para enganar pescadores e pequenos agricultores do município de Rosário. Ele se baseou na reportagem do jornalista Marcos Nogueira, publicada na edição de domingo, 13, pelo jornal “O IMPARCIAL”, sob o título “O sonho que virou pesadelo”.
Na matéria é descrito o início do empreendimento, mostrando como homens e mulheres humildes da região do Munim foram levados a sonhar com uma vida melhor e depois tiveram que enfrentar a dura realidade de dívidas, desemprego e títulos protestados em cartório.
Responsáveis - O pólo de confecção de Rosário foi implantado, em 1995, no governo de Roseana Sarney e tinha como empresa âncora a Yamacon Nordeste S.A. de propriedade do empresário chinês Chhai Kwo Chhengs. A meta era produzir 14,4 milhões de unidades de camisa por ano e empregar 4.500 pessoas em regime de cooperativa.
Foram organizados 90 grupos de trabalhadores, cada grupo com 40 pessoas. Os recursos iniciais no valor de R$ 4,05 milhões, provenientes do BIRD, a fundo perdido, não foram suficientes para comprar os equipamentos e montar os galpões. Recorreram então ao Banco do Nordeste do Brasil (BNB). Os empréstimos foram assinados com os grupos de trabalhadores. A cada grupo correspondeu a liberação de R$ 34.954,00. Segundo Pedro Veloso, nenhum trabalhador recebeu um centavo desse dinheiro.
Em aparte, o deputado Aderson Lago (PSDB) destacou a coragem de Pedro Veloso de abordar um tema que mexe com os interesses da ex-governadora Roseana Sarney e de seu grupo político. Ele classificou o projeto do pólo de criminoso desde a montagem dos grupos de trabalhadores, “porque se iludiu o povo [com propaganda falsa] com panfletos e carro de som”. De acordo com Aderson, venderam a ilusão de que cada operário receberia cerca de 1,5 salário mínimo por mês, quando a renda per capta de Rosário é de 40 reais/mês. O pronunciamento de Pedro Veloso foi elogiado pelos deputados presentes no plenário.