Por Oswaldo Viviani-De
Buriti Bravo
O juiz Marco Aurélio Barrêto Marques, da Comarca de Passagem
Franca, acatou ontem pela manhã o pedido do delegado Hagamenon de Jesus Azevedo
de decretação de sigilo total das investigações referentes à morte do
prefeito de Buriti Bravo, João Henrique Borges Leocádio.
Para justificar o pedido, deferido pelo juiz Marco Aurélio, o
delegado Hagamenon, lotado na Deic (Departamento Estadual de Investigações
Criminais), argumentou que, nessa fase das investigações, o trabalho policial
poderia ser comprometido com a divulgação dos fatos que estão sendo apurados.
Com a decisão, a divulgação, marcada para ontem, dos
resultados dos laudos do Instituto Médico Legal (IML) e do Instituto de
Criminalística foi suspensa.
Sigilo total nas investigações -No documento encaminhado
ao secretário de Segurança Pública, Raimundo Cutrim, através do ofício nº
35/2005, o magistrado determina que "Ante o exposto (pelo delegado da
Secretaria da Segurança Pública), e de acordo com o bem lançado parecer
ministerial, e por tudo mais que do expediente consta,defiro o pedido de
Sigilo Total das investigações constantes do IP/011/05-Deic/DCCO, inclusive
com a proibição da divulgação dos resultados periciais e médico-legal, até
a conclusão das investigações...".O juiz conclui advertindo que,em
caso de descumprimento incorrerá a autoridade representante em crime de
desobediência(C.P. Art. 330).
JP em Buriti Bravo -A reportagem do Jornal Pequeno tentou
falar ontem, em Buriti Bravo, com o delegado Hagamenon de Jesus Azevedo, que
preside o inquérito policial, mas o policial se recusou a prestar
declarações.
O juiz Marco Aurélio falou aoJPinformalmente, no hotel
Fortaleza (centro da cidade), em que estão hospedados todos os promotores do
Ministério Público e policiais enviados pelo Governo do Estado para investigar
a morte do prefeito.
De acordo com Marco Aurélio, houve uma reunião no Fórum da
cidade entre ele, o delegado Hagamenon e os três promotores que atuam no caso,
e foi pactuada a necessidade da decretação do sigilo.
"Lei da mordaça"- Do lado de fora do Fórum, a
unanimidade dos integrantes de um grupo de cerca de 30 pessoas que acompanhava o
desenrolar das investigações – todos amigos ou familiares do prefeito
assassinado – se manifestou contrária à "lei da mordaça" nas
investigações de agora em diante.
Todos avaliam que o motivo real para a proibição da
divulgação das informações sobre o caso é a tentativa de "esconder
alguma coisa", ao mesmo tempo, ganhar tempo para que a população
"esfrie os ânimos".
Ontem, passada quase uma semana do assassinato de João
Leocádio, ocorrido no dia 10 passado, o clima na cidade ainda era de
consternação e revolta.
Pela manhã, mais de 20 pessoas – tendo à frente Sebastião
Leocádio Sobrinho, pai de João Leocádio – se dirigiram ao local do crime,
numa estradinha estreita que leva ao povoado conhecido como
"Gameleira", para instalar uma cruz, acender velas e orar pela alma do
prefeito assassinado.
Para as 19h30, estava marcada a missa de Sétimo Dia, que, pelo
que se comentava na cidade, poderia se transformar num ato de protesto contra
duas coisas: o assassinato do prefeito e a hipótese de suicídio,
insistentemente levantada por algumas autoridades policiais.
Leocádio estava com cerca de R$ 5 mil quando
foi morto
O prefeito de Buriti Bravo, João Leocádio (PDT), morto com um
tiro no ouvido direito, no último dia 10, carregava um maço com cerca de R$ 5
mil quando foi assassinado.
A revelação é da viúva do prefeito, Arlete Jatai, que
afirmou à reportagem doJPque percebeu que Leocádio retirou alguma
coisa de dentro do guarda-roupa, antes de sair de casa "para resolver uma
coisa", conforme disse, e logo depois foi encontrado morto.
Assim que João Leocádio saiu, Arlete teria ido verificar no
móvel. Ela descobriu que num maço de R$ 10 mil que o prefeito guardava só
havia R$ 5 mil.
Segundo Arlete, o dinheiro desapareceu. Com a vítima, a
polícia afirmou que só foram encontrados R$ 141, que estavam em sua carteira.
Quatro balas– Arlete Jataí também afirmou aoJPque
João Leocádio tinha o costume de só colocar quatro balas no revolver Taurus,
calibre 38 (de cinco balas, e não seis, como é mais comum), que começara a
usar na campanha eleitoral, depois que passou a receber constantes ameaças de
morte.
A viúva do prefeito mostrou à reportagem doJPa bala
que restou da cartela que Leocádio comprou para municiar sua arma.
Vários amigos e familiares do prefeito que chegaram ao local do
crime imediatamente depois do ocorrido garantiram que os próprios soldados PMs
Nonato e Góis, que retiraram o revólver do prefeito da cena do crime e
manipularam o cadáver – procedimentos policiais considerados irregulares –
afirmaram que as quatro balas estavam intactas.
Ferrir Jacques Pinto de Lima, que havia trabalhado como
segurança de João Leocádio durante a campanha eleitoral, e que aconselhou o
prefeito a passar a andar armado, afirmou que quando o soldado Nonato ainda
estava com a arma na mão, conseguiu cheirar o cano e constatou que não havia
odor de pólvora.