Belém - Os três acusados de matar a missionária Dorothy Stang, em Anapu, no dia 12 de fevereiro, decidiram assumir integralmente a culpa pelo crime, isentando o suposto mandante, o fazendeiro Vitalmiro Moura, o Bida, que continua foragido há 30 dias. Os três parecem ter combinado o que iriam falar em depoimento ao juiz Lucas do Carmo de Jesus, na penitenciária Fernando Guilhon, onde estão presos. O pistoleiro Rayfran das Neves Sales, o Fogoió, acusado de atirar seis vezes contra a freira, negou ter recebido promessa de pagamento de R$ 50 mil do suposto intermediário, Amair Feijoli da Cunha, o Tato.
Cunha também confessou ter participado do crime, mas disse não teria oferecido dinheiro a Sales. “Eu perguntei se ele (Rayfran Sales) teria coragem de matar aquela senhora (Dorothy) e ele disse que sim. Eu fiquei calado”, afirmou Cunha ao juiz ao apresentar sua nova versão para o assassinato.
O motivo para matar a missionária seria, segundo Cunha, uma “reação às ameaças” que tanto ele quanto Sales e o outro acusado, Clodoaldo Batista, o Eduardo, vinham recebendo de colonos defendidos por irmã Dorothy. Batista, porém, ao se declarar participante do crime, insistiu que Cunha havia prometido pagar R$ 50 mil a Sales pelo “serviços.
Após os depoimentos, que terminaram por volta das 19 horas, o advogado Oscar Damasceno Filho, defensor de Vitalmiro, informou que ingressará até sexta-feira com um pedido de habeas-corpus preventivo para que seu cliente possa se apresentar à Justiça.