Aordeira e simpática cidade de Buriti Bravo vivencia um sentimento de perda e desolação com a morte de João Henrique Leocádio, envolta em mistério. As investigações apontam para três hipóteses: suicídio, assassinato de encomenda ou desentendimento com desafeto.
Suicídio é uma hipótese remota de ser confirmada. No dia de sua morte, Leocádio recebeu um telefonema, disse a esposa para botar o almoço, pegou seu revolver, colocou na cintura e avisou que voltaria logo. Do jeito que saiu, disposto e decidido, não apresentava nenhum sinal de uma pessoa com intenção de se matar. Um conhecido, que trafegava no sentido da cidade de Buriti, cruzou com Leocádio, acenou, cumprimentando-o e foi correspondido com gesto de saudação. O prefeito, que dirigia seu carro, vinha em companhia de um homem e seguido por dois motoqueiros. Minutos depois, Leocádio estaria morto com um tiro no ouvido direito. Cerca de 20 minutos após sua saída de casa, o telefone tocou e alguém sem se identificar perguntou por ele e desligou.
Das três hipóteses, o que a população de Buriti Bravo considera mais viável é o crime de encomenda. A pergunta que corre na cidade: quem estaria interessado ou bastante magoado para mandar matar um professor de Matemática que se exercitara na arte de fazer amigos?
Com o seu jeitão descontraído e sempre pronto para bem se relacionar com as pessoas que o procuravam, ninguém em Buriti Bravo aponta um desafeto de Leocádio. Seus desentendimentos, de conhecimento público, eram no campo político.
Para expressar imparcialidade, caso o resultado das investigações conclua que o crime teve motivação política, José Reinaldo recorreu ao Ministério da Justiça para a Polícia Federal investigá-lo, mesmo ciente da seriedade da Polícia Civil do Maranhão que já conquistou a confiança da população na elucidação de crimes misteriosos como o assassinato da primeira dama de Alexandre Costa, cujo mandante foi o próprio marido, prefeito do município. Mas, em caso político conturbado, a Polícia Federal inspira neutralidade e nenhum acusado terá força perante a opinião pública de aparecer como vítima de jogada política.
Outros prefeitos foram assassinados no Maranhão. Quatro no início da década de 90.
O prefeito de Bacuri foi crivado de balas na sua residência em São Luís por um pistoleiro de aluguel, o vice-prefeito figurou como principal suspeito e o então deputado José Genésio fez inflamados pronunciamentos na Assembléia Legislativa e em Bacuri. Todavia, a autoria intelectual do crime não foi comprovada.
Um pistoleiro assassinou o prefeito de Morros, também em sua casa, localizada no bairro do Vinhais, houve prisões, porém não se chegou ao autor intelectual.
O município de Porção de Pedras ficou enlutado com o seqüestro e esquartejamento do prefeito Raimundo Borges em São Luís, o vice-prefeito ainda foi preso e logo foi solto.
O assassinato do prefeito de Imperatriz provocou a intervenção do governo do Estado no município, o vice-prefeito e uma quadrilha que financiaram a sua campanha eleitoral participaram do crime, inexplicavelmente, os principais responsáveis escaparam da punição.
Todo esse quadro de investigações mal sucedidas foi modificado com a entrada do atual secretário de Segurança Raimundo Cutrim que dinamizou a Polícia, a partir de 1997. Hoje, a Polícia Federal em parceria com a Polícia Estadual trabalham no caso do prefeito Leocádio e a sociedade acredita que os culpados serão conhecidos nos próximos dias.
Os passos da vítima de sua saída até o local do crime, cerca de 4 quilômetros da sede do município de Buriti Bravo, já foram reconstituídos. Na cidade, sabe-se que as duas primeiras pessoas que encontraram Leocádio morto no seu carro, no afã de salvá-lo, retiraram-no da cabine e o colocaram no chão. O seu revolver estava ao seu alcance. Os peritos trabalham para recompor a cena do crime, pegar o fio da história e chegar aos culpados..
Logo que assumiu, Leocádio instaurou uma auditória na Prefeitura que desagradou o seu antecessor, o ex-prefeito Wellington Coelho. Familiares e amigos de Leocádio fazem insinuações, o ambiente está inflamado em Buriti. Wellington se defende e lamenta a trágica morte de seu adversário político. Em Buriti Bravo, o último crime de conotação políticas ocorreu em 1992, quando Bentinho, uma figura popular, que abastecia as conversas das rodas políticas da cidade, foi morto a tiros por um pistoleiro até hoje não identificado, quando carregava um caminhão de produtos locais na zona rural. Até hoje, vira e mexe, a morte de Bentinho entra no foco dos comentários.
As versões sobre a morte de João Henrique Leocádio se multiplicam na população de Buriti Bravo e já se sabe que ele, poucos dias antes de morrer, dissera que estava sofrendo ameaça de morte. Eis aí um eixo para a investigação policial caminhar e descobrir o autor intelectual do crime. É quase impossível que Leocádio não tenha confidenciado a amigos ou familiares o porque das ameaças.
A Secretaria de Segurança do Estado deslocou os seus melhores homens para Buriti Bravo e a Polícia Federal está em ação. O resultado desse trabalho conjunto deverá revelar como ocorreu a morte do professor Leocádio, as circunstâncias apontam que não foi fruto de suicídio e sim de matadores profissionais ou pessoas capazes de simularem que a vítima se matou, para encobrir o crime que praticaram.