*Nilson de Jesus Ericeira Sousa
Não gosto de nomear pessoas que tercem o contexto histórico para não correr o risco de cometer injustiças. Às vezes, não nos resta outra alternativa a não ser colocá-las sobre o plano das idéias para reconhecer a contribuição que têm e tiveram com a construção do processo político do Estado.
Em Arari, por exemplo, Joan Botelho, Aníbal Lins, Washington Luís, Augusto Lobato, Chico Gonçalves e outros que estão no mesmo plano receberam-me inúmeras vezes. Sintam-se representados nesse contexto os que, de alguma forma, nos ajudaram nas ditas comissões provisórias, nos embates de formação política e nas muitas trincheiras pelas quais passamos. A relevância que vocês têm na formação política ultrapassa os sinais simbólicos das siglas partidárias e ganham ênfase na grandeza do espírito público que vocês têm a oferecer para o bem do Maranhão.
Acredito que não seja hora de pensarmos apenas em nós próprios, mas de acreditarmos na construção de um Maranhão justo, solidário, desenvolvido e capaz de erradicar os indicadores negativos construídos ao longo da história. Legados que temos o dever de não deixarmos aos nossos descendentes.
Com a mesma dificuldade de nomear, vou listar alguns “construtores”, até certo ponto, do PT de Arari. Zé Garros, Mindubim, Luciavaldo (este quase sempre ausente, limita-se ao discurso inconcluso), Marly, Tonico, João Brito, Pedro Dutra, Márcio Jardim, Cafezinho (candidato a vereador com expressiva votação) e tantos outros. Outros saudosos simpatizantes: Zeza Super-Homem e Raimundo Bico Fino. Mas, em especial, quero aproveitar para pedir desculpas, se é que isto serve como reparação, ao meu amigo Zé Garros, o Zé do Felix, primeiro vereador eleito pelo PT em Arari, trabalhador rural, intelectual orgânico, cuja postura durante muito tempo me empolgou. Desculpas por mim e por todos que fizeram e aceitaram alianças espúrias e que comprometem a dignidade, a moral e valores e contra-valores como o bem e o mal, o justo e o injusto, o líder e o impostor, o idealista e o aventureiro, o honesto e o ímprobo, a conquista pelo mérito e a vida fácil...E por aí vai...
Não sei ao certo qual a vantagem desta arrogância, mas não me arrependo em absolutamente nada que denunciamos nos jornais, nas praças, ruas e nas casas de Arari. Lembram destas frases: “rico não gosta de pobre’’. Estes foram um dos motivos da minha ausência na campanha eleitoral próxima passada.
Nossa cidade sempre foi marcada por pessoas cuja inquietude serve de dinâmica para o processo histórico. Estou quieto, mas não faço política por opção pessoal. Por conhecer o PT de Arari nas entranhas, reservo-me o direito de tentar dar tonalidade à estrela cadente. Nos fóruns, nas disputas e com companheiros altivos, ainda há tempo.
Eu, Zé Garros, Marly de Queiroz, Márcio Jardim, nós, os meninos do PT de Arari. No princípio, éramos vistos como loucos que sofrem as influências do academicismo. Serviam unicamente para distribuir oratória, retórica inflamada sobre desvios do Fundef, Araprev, concurso público realizado de maneira suspeita, greve dos professores do município de Arari e outras ações públicas que mereceram e merecem sempre os cuidados. Assuntos que ninguém tinha coragem de denunciar.
O PT de Arari o fazia de forma normal como percurso natural. Mas o tempo passou, restando para alguns processos e a ausência de vergonha de ter que se unir mais tarde a quem os discriminava, marginalizava e até os difamavam. Coisas da vida! Fazer o que!? Para outros, o ostracismo e indiferença. A história na sua dinâmica há de registrar de forma clara e límpida o comportamento daqueles que confundiam sua própria vida com o Partido dos Trabalhadores.
Aguarde o próximo artigo, para dizer que não falei do PT.
*Nilson de Jesus Ericeira Sousa
Poeta, Professor, Jornalista e Feirante