Por Wellington Rabello
Ontem foi realizada mais uma audiência para ouvir as testemunhas de defesa dos envolvidos no caso Brito Júnior. A única a depor foi a delegada Katherine Silva Chaves, da Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic), que concluiu os autos do inquérito, arrolada pelos advogados do legista Fortunato Antônio Badan Palhares.
Mais uma vez estavam presentes os acusados e presos de Justiça, José Gerardo de Abreu, Zé Gerardo, e José Rodrigues, o Zé Júlio, apontados como mandantes e autor do crime que vitimou o adolescente José Antônio Penha Brito Júnior, em 19 de junho de 1988. Outro que esteve na audiência foi Airton Godin Feitosa, que também aparece como envolvido no caso por aparecer como sócio da empresa Discmar, da qual foi encontrado material impresso nos pertences de Brito Júnior, e ser acusado de falsificar documentos para beneficiar o bando de Zé Gerardo.
A defesa do legista Badan Palhares arrolou cinco testemunhas, mas somente uma apareceu a tempo para ser ouvida, a delegada Katherine Silva Chaves. Uma outra depoente, Rosélia Veloso Brito, ainda compareceu ao Fórum, mas não pôde depor pelo fato de ter chegado atrasada e não ter ouvido a leitura da denúncia.
O acusado Zé Gerardo deveria ter tido três testemunhas depondo em sua defesa, mas nenhuma compareceu à audiência.
Inquérito desaparece – De acordo com o depoimento de Katherine Chaves, o 1° inquérito instaurado, ainda no ano de 1988, presidido pelo delegado Sebastião Justino, sumiu do 9° Distrito Policial, no bairro do São Francisco, e até hoje nunca foi encontrado. Ela também disse que o agora existente é uma restauração feita com base em cópias de algumas peças que se encontravam com o pai da vítima e que não sabe se foi solicitada a apuração do desaparecimento.
Quando questionada se sabia da participação de cada um dos acusados no crime, a delegada respondeu com base no que constava dos autos do inquérito, afirmando que Zé Gerardo aparece como mandante do desaparecimento e assassinado do adolescente; que Zé Júlio seria o executor junto com outra pessoa que não soube identificar; que Airton Godin participou falsificando documentos para a quadrilha, dizendo que na Junta Comercial do Maranhão (Jucema) teria sido descoberto que a assinatura de dois dos sócios da Discmar, José João e Francisco Albino, seriam falsas; e. por último, que o legista Badan Palhares teria falsificado o laudo cadavérico e envernizado os ossos, em São Paulo, antes de vir de volta para São Luís, a fim de dificultar a identificação por meio de DNA.
Segundo a delegada, os ossos de Brito Júnior ainda estão no Instituto Médico Legal (IML) e que ainda não teria sido sepultado por vontade do próprio pai da vítima, achando melhor aguardar o encerramento do processo para que não tenha que passar por uma outra exumação.
As outras audiências acontecerão nos dias 1° e 8 de abril, para ouvir as testemunhas de defesa que não compareceram nas outras duas já realizadas.