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Guesa Errante
Editorial

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Data de Publicação: 1 de março de 2005
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Aos oitenta e dois anos de idade, o poeta

Nascimento Morais Filho é um dos raros sobreviventes de uma geração de poetas

que ainda hoje são referenciais da melhor poesia maranhense do século XX.

Diga-se: geração de excelentes e poucos excepcionais poetas.

Contam-se, entre esses, Manoel Caetano Bandeira

de Mello, Oswaldino Marques, Bandeira Tribuzi, Ferreira Gullar, José Chagas e

Nauro Machado.

A obra literária do escritor Nascimento Morais

Filho, em particular, credita-o como poeta, ensaísta, pesquisador e

folclorista.

Constam de sua bibliografia de ensaísta e

folclorista as obrasPé de Conversa,O que é o que é

eEsperando a Missa do Galo.

Pesquisador incansável, ele descobriu e editou

escritores inéditos, como a romancista e poeta Maria Firmina dos Reis, autora

do romanceÚrsula,considerado o primeiro romance brasileiro. Do

jornalista e escritor Inácio Rafael de Carvalho deu a lume a obraGuerra

dos Bentivis.

Poeta citado entre os melhores de sua geração,

são de sua autoriaClamor da Hora Presente,A Esfinge do

AzuleAzulejos.

Apesar da grande repercussão das obras

inaugurais de Nascimento Morais Filho, aquela que o coloca entre os melhores

poetas brasileiros do século XX éAzulejos, livro

revolucionário do ponto de vista da criação literária no mais amplo sentido.

EmAzulejos,o poeta subverte a

sintaxe e a ortografia convencionais, viola os sinais de pontuação e introduz

na Literatura Brasileira a prática de iniciar sentenças e nomes próprios com

letras minúsculas.

Obra radicalmente inovadora,Azulejos

é escrita em linguagemnonsenseetransracional, ou seja um poema

romance escrito pelo automatismo de um não protagonista ou não-autor, por

tratar-se de uma criança que não pode ter consciência do universo de que

fala.

Para pôr em prática essa linguagem dos

primeiros anos da infância, Nascimento Morais Filho consegue, da maturidade,

transportar-se mentalmente para o estado de espírito da criança que mantém

viva em sua alma.

Esta edição, que encerra o terceiro ano Guesa

Errante, apresenta além de estudos críticos sobre Nascimento Morais Filho, uma

entrevista que o poeta concedeu ao jornalista e escritor Manoel dos Santos Neto.

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