Aos oitenta e dois anos de idade, o poeta
Nascimento Morais Filho é um dos raros sobreviventes de uma geração de poetas
que ainda hoje são referenciais da melhor poesia maranhense do século XX.
Diga-se: geração de excelentes e poucos excepcionais poetas.
Contam-se, entre esses, Manoel Caetano Bandeira
de Mello, Oswaldino Marques, Bandeira Tribuzi, Ferreira Gullar, José Chagas e
Nauro Machado.
A obra literária do escritor Nascimento Morais
Filho, em particular, credita-o como poeta, ensaísta, pesquisador e
folclorista.
Constam de sua bibliografia de ensaísta e
folclorista as obrasPé de Conversa,O que é o que é
eEsperando a Missa do Galo.
Pesquisador incansável, ele descobriu e editou
escritores inéditos, como a romancista e poeta Maria Firmina dos Reis, autora
do romanceÚrsula,considerado o primeiro romance brasileiro. Do
jornalista e escritor Inácio Rafael de Carvalho deu a lume a obraGuerra
dos Bentivis.
Poeta citado entre os melhores de sua geração,
são de sua autoriaClamor da Hora Presente,A Esfinge do
AzuleAzulejos.
Apesar da grande repercussão das obras
inaugurais de Nascimento Morais Filho, aquela que o coloca entre os melhores
poetas brasileiros do século XX éAzulejos, livro
revolucionário do ponto de vista da criação literária no mais amplo sentido.
EmAzulejos,o poeta subverte a
sintaxe e a ortografia convencionais, viola os sinais de pontuação e introduz
na Literatura Brasileira a prática de iniciar sentenças e nomes próprios com
letras minúsculas.
Obra radicalmente inovadora,Azulejos
é escrita em linguagemnonsenseetransracional, ou seja um poema
romance escrito pelo automatismo de um não protagonista ou não-autor, por
tratar-se de uma criança que não pode ter consciência do universo de que
fala.
Para pôr em prática essa linguagem dos
primeiros anos da infância, Nascimento Morais Filho consegue, da maturidade,
transportar-se mentalmente para o estado de espírito da criança que mantém
viva em sua alma.
Esta edição, que encerra o terceiro ano Guesa
Errante, apresenta além de estudos críticos sobre Nascimento Morais Filho, uma
entrevista que o poeta concedeu ao jornalista e escritor Manoel dos Santos Neto.