Recife promove uma temporada de espetáculosDe dezembro a fevereiro, uma série de eventos culturais transformará o Recife na cidade mais agitada do verão brasileiro. A capital de Pernambuco já vive um clima de carnaval, mas até a quarta-feira de cinzas haverá festas e atrações para todos os gostos. O mais importante: os espetáculos desta temporada são gratuitos.
Pastoris, apresentação de balés, show de bandas de rock, reisado, mamulengo, ciranda, coco, cavalo-marinho, maracatus e, claro, orquestras e bandinhas de frevo estarão em toda parte. Mergulhada nesse caldeirão de ritmos, a cidade se tornará ainda mais atraente nestes meses que antecedem o carnaval. A maior parte das atrações poderá ser vista em pólos ao ar livre - quase todos no centro. É lá, por exemplo, que se apresentarão os guerreiros e reisados, tradicionais manifestações folclóricas que mostram o ritual da festa entre o Natal e o 6 de janeiro, quando cantadores e sambadores revivem o mito dos Reis Magos. Ao lado do folclore, haverá espaço ainda para espetáculos mais inusitados: a encenação do nascimento de Jesus por 20 atores com pernas de pau. Quem gosta de dança terá oportunidade de ver o clássico O Quebra Nozes, com a participação da bailarina Ana Botafogo.
No Pátio de São Pedro - espaço onde é realizado o projeto da cultura afro-brasileira “Terças Negras” - a programação também será especial. Ainda neste mês será realizado um tributo a Luiz Gonzaga, com a participação de grandes nomes da música local, entre os quais Arlindo dos Oito Baixos, Silveirinha, Aécio dos Oito Baixos e Trio Macambira. Juntos, mostrarão a força do baião nordestino. Também no pátio se apresentará o Cavalo-Marinho Boi Matuto do Mestre Salustiano - um auto popular do ciclo natalino, que se estende até a festa de Reis.
A cultura tradicional, no entanto, estará lado a lado com os sons da nova geração. Uma boa mostra desse multiculturalismo: no dia 24/12, guerreiros e reisados de Sergipe se apresentarão no Marco Zero – centro Histórico da Cidade – acompanhados do DJ Dolores, conhecido por suas experimentações na música eletrônica. No Reveillon, nesse mesmo local, maracatus dividirão espaço com as bandas Mombojó (eleita como o melhor grupo de música do ano pela Associação Paulista de Críticos de Artes - APCA), Mundo Livre S/A e Nação Zumbi. Para fechar o ano tem ainda Alceu Valença, Silvério Pessoa, Lia de Itamaracá, Siba e a Fuloresta e um grande baile ao som da Orquestra Popular da Bomba do Hemetério. “A ordem é misturar tudo: frevo de bloco, rock psicodélico, maracatu, guitar bands, pastoris, emboladas, dub, samba, surf music, música clássica e eletrônica, caboclinhos e jazz.
E tem mais: em janeiro, os grupos de maracatu - entre eles os tradicionais Nação Pernambuco e o Estrela Brilhante - poderão ser acompanhados em várias partes da cidade. Além disso, nas ruas e nos clubes estão programadas prévias carnavalescas de vários blocos e também desfiles de carros de época que fazem alusão ao corso dos antigos carnavais.
São quase três meses de aquecimento para o Sábado de Zé Pereira. Nesse dia, o Galo da Madrugada – maior bloco do mundo, segundo o Guiness Book – arrasta mais de um milhão de pessoas pelas ruas do Recife.